Foi assim o meu dia.
Pela manhã, o SOL. Era o suficiente. Não precisava de mais nada, senão os raios que me aqueciam corpo e alma enquanto caminhava. Vou ocupada com pensamentos solarengos.. O que seria viver num país onde não há quase sol? Onde não se vê a luz incidir no casario de uma Lisboa? Ou um pôr do sol à beira-mar? Lembro-me do "Sol" de MªJoão, do sol de tantas canções e tantos dias que me trouxeram alegria.
Compro o Blitz, vou no comboio até Lisboa e chego à estação do metro onde passava “The final Countdown” alto e bom som! Roubou-me um largo sorriso!
À tarde, dividida entre uma encantadora leitura ao sol ou a oportunidade de um cinema. Opto pela segunda, enfio-me numa sala gelada e saio desapontada com Wim Wenders (depois de tão boas surpresas) e “A Terra da Abundância”. Histórias de uma América perdida. Um ex-veterano da guerra do Vietnam (uma vez mais!) que vive obececado com os árabes desde o 11 de Setembro e a sobrinha que vem salvá-lo e ao mundo. Um bocado cliché e pouco cativante, apesar de alguns momento bonitos e até comoventes. E não deixa de ser um retrato, talvez mais interessante e pedagógico para os americanos que não têm noção do mundo que os rodeia e do que pensam deles “outside”. Se acreditasse em algum Deus, só me apetecia dizer “God save America!” and the world! Valeu a banda sonora (destaque para Thom Yorke e Leonard Cohen).
Saio, compro umas castanhas e bebo um chá, que me reaquecem. Subo uma das colinas, num fim de tarde cansativo e frio. Volto a aquecer com o amor das lindas crianças que são meus irmãos. Como é bom vê-los crescer.
No regresso a casa, 20 minutos de frio e desespero numa paragem de autocarro. Apanho o comboio e corro para o “Goodbye Lenine!” que já rolava. Revejo passagens de Berlim e relembro a sensação que tive quando vi o filme na 1ª vez. A beleza e dedicação encantadoras de um amor pela mãe, um tempo de luta pelos valores sociais, a delicia de inverter a história como gostariamos que ela tivesse sido e uma linda relação de amor que vai crescendo.
Tive, mais uma vez, saudades de tempos que não vivi.
Mas o nosso tempo é este. E sei que virão mais dias quentes e frio, “è cosi la vita”.
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