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o homem parte, a obra fica.
Como este "You Are Welcome To Elsinore":
~*~
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
~
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
~
Ao longo da muralha que habitamos
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
~*~
Entre nós e as palavras, surdamente,
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
~
E há palavras noturnas palavras gemidos
E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo oamplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita
~*~
Entre nós e as palavras, os emparedados
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
(Mário Cesariny)
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