domenica, ottobre 24, 2004

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Porque catalogamos as pessoas? Porque tentamos sempre classificar, inseri-las num qualquer estereótipo? Será que isso nos deixa mais esclarecidos, mais seguros de nós e dos outros? Porquê esta incessante tentativa de descoberta e de controlo? Quando certas frases sábias perdem o significado.Perdem-se.. "Só sei que nada sei". Mas queremos sempre saber, não é? Vivemos inconformados. Connosco, com os outros. Tentamos prever. Mas a vida prega partidas, faz-nos surpresas. Boas e más. Aí está a sua beleza! Não saber!
E porque passamos a vida à volta das mesmas questões, vamos experimentando. Experiências de vida, experiências na vida. Seguimos exemplos, inovamos, repetimos. Julgamos. Pensamos que sabemos e de repente surpreendemo-nos. A nós e aos outros. Se me classificasse, se tentasse caracterizar-me, o que seria EU? Poderia dizer música. Porque a música para mim é quase tudo. São memórias, sensações fortes associadas a sons. Como explicar a quem não ouve? O que sente realmente um surdo? O que ouve dentro de si? E um cego, o que vê? Passamos a vida a roubar uns aos outros. Palavras, afectos, sons, imagens. Muitas vezes de forma inocente e inofensiva. Mas pode ser perigoso e violento, quando queremos mais do que precisamos, ou quando precisamos mais do que temos.
Há dias assim. Em que me ocorrem mil e umas questões. Em que não sei o que quero, em que não apetece estar em lado nenhum. E vêm-me constantemente frases de canções à cabeça, "só estou bem onde não estou, porque só quero ir onde não vou". Apodero-me de frases, roubo-as, uso-as. Não por um sentimento de posse, mas por simples identificação. Profunda e sentida. É o efeito da música em mim. Porque "música é sentimento".
Encontrei escritas de há um ano atrás e veirfico que há sentimentos que não mudaram, incertezas, inseguranças. Porque será tão difícil aceitar certas realidades? "I'm not a perfect person"!! Será que não me conformo? Não exijo dos outros a perfeição, nem tanto acredito em tal coisa, não procuro o homem perfeito. Mas parece que não aceito isso para mim. Que o mundo me pesa nos ombros, que me sinto culpada pela forma de vida privilegiada e por não abdicar dela, por não ajudar os outros, por me fechar no meu mundo, por tudo e por nada. "Todo passa!"
É bom saber que tenho alguém lá fora, amigos e família. Sem eles nada faria sentido. O que seriamos nós sózinhos no mundo? O que é a vida sem partilha? (a vida não é uma ilha!)


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